Próxima Estação

0802

Ando lendo bastante esses dias. Lendo e escrevendo. Escrevo em todos os lugares. Tiro o meu caderninho da bolsa e escrevo, escrevo e escrevo. Em casa, na rua, no metro, no bar. “Você costuma escrever sempre?”, “Aham”, “Legal”. Eu acho saudável. Minha psicologa também. A ideia foi dela na verdade. Mas a obra é toda minha. As noites sem dormir também são minhas. O trem é meu. Ele habita a minha cabeça, então é meu. Ele habita a minha cabeça, e nunca para de girar, girar e girar. E sempre apita. Dói quando ele apita. Queria saber beber, mas nasci mais careta do que poeta, então mereço a dor. E deixa ela aí. Uma hora o apito para, a dor sana e as coisas continuam. O trem continua, eu continuo. E a vida segue. Pelo menos até o próximo apito.

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